RETROSPECTIVA: PRÁTICAS QUE MUDARAM EM 2015

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Cochilou em 2015? Não se preocupe! O pessoal do FOAMcast pegou as mentes de emergencistas brilhantes e nos deu essa pequena lista com os acontecimentos importantes do ano que passou.

Quer saber mais sobre FOAM? Acesse aqui!

(Podcast em Inglês – iTunes ou link direto)

TRAUMA

Reanimação guiada por FAST – Toracotomia de Emergência. (Recomendado por Haney Mallemat, Rob Orman)

Mensagem final: se um paciente vítima de trauma chegar na sala de emergência e não tiver nem atividade cardíaca, nem derrame pericárdico no FAST, a chance de sobrevida é praticamente nula. Inaba e al. demonstraram o seguinte:

  • População: 187 pacientes em Los Angeles (Universidade do Sul da Califórnia), com indicação para realização de toracotomia de emergência (pacientes com trauma penetrante com ausência de sinais vitais, e pacientes com trauma contuso com perda dos sinais vitais presenciada pela equipe de atendimento, seja no caminho ou na própria emergência).
  • Intervenção: residentes da Medicina de Emergência realizaram FAST antes e concomitantemente à toracotomia.
  • Desfecho: dos 126 pacientes sem atividade cardíaca na avaliação do FAST, nenhum sobreviveu.

Vários pacientes com atividade cardíaca também morreram. Esse artigo nos dá uma orientação na hora de tomar a decisão de abrir ou não o tórax, porém levanta um debate sobre se essa orientação diminuiria as oportunidades educacionais para um procedimento potencialmente heróico.

Diga NÃO às macas rígidas longas! (Recomendado por Lauren Westafer).

Em janeiro de 2015, o ACEP (American College of Emergency Physicians) recomendou não usar macas rígidas no atendimento a pacientes com suspeita de lesão vertebral. Vários protocolos mudaram nessa direção antes e principalmente depois dessa recomendação. A comunidade #FOAMed tem levantado os braços para alertar sobre a ineficácia e os danos das macas rígidas há algum tempo, mais uma vez confirmando que FOAM pode servir como um preditor de mudanças futuras, tornando o processo de mudança da prática clínica menos estressante cognitivamente.

 

REANIMAÇÃO

Vasopressores periféricos (Recomendado por Haney Mallemat, Rob Orman)

Eles acreditam que a partir do que foi mostrado pela combinação da revisão sistemática feita por Loubani et al. e o estudo Cardenas-Garcia, vasopressores podem ser usados com segurança em acessos venosos periféricos calibrosos proximais à fossa cubital. Nota: isso deve ser feito sob monitorização (protocolada é o melhor) e em curto período (< 6h), assim minimizando complicações.

FOAMcast detalhou a literatura por trás do uso dos vasopressores nesse podcast.

 

SEPSE

Fluidos intravenosos em sepse (Recomendado por Haney Mallemat).

O PROMISE trial foi publicado no início de 2015, complementando os ensaios clínicos ProCESS and ARISE. Nesses estudos, pacientes recebiam 2 litros de cristaloide na chegada e depois mais 2 litros nas primeiras 6 horas. Após 3 dias de recrutamento, a maioria recebeu pouco menos de 4 litros. No geral, a maioria dos pacientes receberam menos que 6 litros IV. Existe um movimento para o uso mais sensato dos fluidos em casos de sepse, ao invés de dar logo na chegada 4-6 litros IV. Marik desenvolve uma explicação sobre esse assunto nesse artigo.

  • Desafio do Mallemat: antes de realizar um bolus com fluído, pegue o ultrassom e faça essas questões: “O ventrículo esquerdo precisa disso? E o ventrículo direito pode aguentar isso?”

CMS Core Measure (Recomendado por Jeremy Faust).

O Fórum de Qualidade Nacional – EUA publicou um protocolo de critérios de qualidade para o manejo de sepse grave e choque séptico. Veja um podcast do EMcrit sobre esse tópico.

 

RENAL

Relações sexuais 3 a 4 vezes por semana podem ajudar na expulsão cálculos distais. No ano de 2015, dois grandes estudos feitos por Pickard et al. e Furyk et al. demonstraram nenhum benefício em usar drogas como Tansulosina (relaxante da musculatura lisa) para remoção de pedras em casos de ureterolitíase (principalmente pedras < 5 mm). Por isso, um artigo publicado por Dolouglu et al. animou alguns homens, principalmente no que concerne ao entretenimento. Dado que a Tansulosina parece não ajudar, que tal prescrever relações sexuais de 3 a 4 vezes por semana para os pacientes homens? No estudo realizado, o tempo médio de expulsão da pedra foi menor para o grupo randomizado para receber orientação de manter relações sexuais 3 a 4 vezes por semana no período.

 

EDUCAÇÃO MÉDICA

Misturando os recursos de FOAM (Recomendado por Michelle Lin).

Blogs e podcasts estão crescendo e cada vez mais suplementando um ao outro. Dr. Lin prevê que no futuro haverá um conglomerado desses recursos (exemplo: fusão do EMCrit com o PulmCrit e grandes empreendimentos como a ALiEM e o CandiEM).

Misturando o FOAM com as revistas tradicionais (Recomendado por Michelle Lin).

Skeptic’s Guide to Emergency Medicine se juntou com as revistas Academic Emergency Medicine e Canadian Journal of Emergency Medicine (exemplos: SGEM HOP, artigo científico), e a grande quantidade de recursos de FOAM oferecidos pelo ALiEM em colaboração com o Annals of Emergency Medicine (exemplos: clube de revista e artigo científico). A fusão de FOAM com recursos pagos e tradicionais é o futuro, segundo a Dra. Lin.

 

SOBREDIAGNÓSTICO

Sobrediagnóstico (termo usado para descrever um diagnóstico desnecessário) é um problema e as pessoas estão começando a se revoltar contra isso. (Recomendado por Lauren Westafer).

Existe um congresso sobre sobrediagnósitco e o JAMA Internal Medicine possui uma série de artigos, como aquele intitulado “Less is More” (em português, “menos é mais”), que frequentemente detalha evidências sobre o problema.

  • Um dos artigos importantes de 2015 para os médicos emergencistas foi publicado por Hutchinson et al. Nesse estudo, as angiotomografias pulmonares dadas como positivas para tromboembolismo pulmonar foram revisadas por três radiologistas especializados em tórax que concluíram que, na verdade, 25.9% das angiotomos não possuíam embôlos pulmonares. Os danos por trás desses falsos-positivos estão além do risco da anticoagulação (pense sobre como a abordagem de um paciente com várias queixas difere daquela com uma história de tromboembolismo).

A comunidade do FOAM intensificou a admiração e o respeito pelo falecido Dr. John Hinds. Não deixe de assistir sua palestra, “Crack the Chest, Get Crucified”, na qual sua excelência pela educação médica brilha, e ele dá dicas a todos nós.

 

Link original: FOAMcast
Tradutor: Lucas Oliveira Junqueira e Silva
Revisor: Henrique Puls