Ultrassom à Beira do Leito Durante Parada Cardiorrespiratória

Parada Cardiorrespiratória (PCR) é um evento comum e afeta mais de 300,.000 americanos todos os anos, apresentando um prognóstico sombrio, com uma taxa de sobrevivência variando entre 7 a 9%. Atualmente, não há evidências ou guidelines que auxiliem os médicos a decidirem o momento de interromper a reanimação quando o paciente não obtém o retorno espontâneo da circulação. Ultrassons portáteis são úteis em outros pacientes críticos, assim como no trauma e no choque indiferenciado. Ecocardiograma na beira do leito está facilmente disponível e pode ser utilizado durante a reanimação cardiopulonar (RCP), a fim de ter uma informação rápida sobre a atividade cardíaca, bem como apontar possíveis etiologias. Essa é a primeira revisão sistemática a observar as evidências para o uso de ultrassom (US) na beira do leito para o manejo da parada cardíaca.

Resumos de Emergência

Hipótese

“A detecção da contração cardíaca no US à beira do leito prediz o retorno espontâneo da circulação durante a parada cardíaca?”

Método

Realizou-se uma revisão sistemática com a ferramenta QUADAS (ferramenta de avaliação da qualidade no uso de testes diagnósticos de acurácia) e meta-análise.

Pesquisa Bibliográfica

Utilizou-se as bases de dados MEDLINE via PubMed, EMBASE, CINAHL e base de dados da Livraria Cochrane.

Desfechos

Características do US à beira do leito como exame complementar na parada cardíaca para prever o retorno espontâneo da circulação (sensibilidade, especificidade e razão de chances).

Inclusão

Estudos de precisão diagnóstica sobre o ecocardiograma transesofágico (ETE) realizados durante uma parada cardíaca. Estudos que deveriam reportar os achados de ETE, bem como os desfechos dos casos de parada cardíaca.

Resultados Primários

  • A pesquisa identificou 2.539 títulos relevantes, os quais foram rastreados.
  • Por fim, 8 estudos foram incluídos nessa análise.

Características do US como teste para encontrar atividade cardíaca e predizer o retorno espontâneo da circulação (resultados primários).

  • 91,6% de sensibilidade (IC 95%: 84,6% a 96,1%)
  • 80% de especificidade (IC 95%: 76,1% a 83,6%)
  • Razão de chances positiva 4.26 (IC 95% 2.63 a 6.92)
  • Razão de chances negativa 0.18 (IC 95% 0.1 a 0.31)

Pontos Fortes

  • Meta-análise.
  • Baixa heterogeneidade para a razão de chances negativa.
  • Conclusões baseadas em baixa heterogeneidade.

Limitações

  • Estudo não é baseado em resultados centrados no paciente (nem todos os estudos descreveram os resultados posteriores ao retorno da circulação espontânea).
  • Amosta pequena mesmo sendo uma meta-análise, análises de subgrupo não foram possíveis por esse motivo.
  • Não diferencia os tipos de parada cardíaca (fibrilação ventricular versus atividade elétrica sem pulso versus assistolia; e, traumática versus não traumática).
  • Alguns estudos incluem somente ultrassonografistas profissionais, por essa razão, pode não ser aplicável a todos os profissionais.
  • Falta de uniformidade nos estudos sobre a definição de “atividade cardíaca”  e nem todos eles definem de forma clara o que é considerado como “atividade cardíaca”.
  • A confiabilidade das pesquisas para avaliação da atividade cardíaca é incerta nos estudos individuais.

Conclusões do Autor:

“O US realizado durante a parada cardíaca demonstra que na ausência de atividade elétrica apresenta uma probabilidade significativamente menor, mas não zero, de um paciente experimentar o retorno espontâneo da circulação. Em pacientes selecionados com maior probabilidade de sobreviver à parada cardíaca na sua apresentação, com base em fatores preditores estabelecidos de sobrevida, US não deve ser a única base para a decisão de interromper a reanimação. O US deve continuar a ser usado somente como um fator que contribui para a decisão clínica na previsão dos resultados de RCP.

Nossas Conclusões

US à beira do leito pode ser extremamente útil para orientar a RCP. A falta de atividade cardíaca em pacientes em PCR pode ajudar a guiar o momento de interromper os esforços de reanimação no contexto clínico correto, mas não deve ser utilizado em isolado. Mais estudos devem ser realizados para demonstrar o valor do uso do US na previsão de resultados significativos para o paciente.

Potencial Impacto para a Prática Clínica

US à beira do leito foi incorporado em vários aspectos da prática da Medicina de Emergência. A RCP não é diferente. O uso do US na PCR tende a melhorar a avaliação clínica do prognóstico do paciente. Entretanto, não deve ser o único instrumento para a tomada de decisão.

Resumo

US à beira do leito pode ser uma ferramenta útil para auxiliar na avaliação clínica durante a RCP, pois a falta de atividade cardíaca pode predizer um pior prognóstico.

 

Texto Original: CoreEM

Autor: Di Coneybeare, MD

Traduzido por: Natália Fuhr

Revisado por: Daniel Schubert

Editado por: Anand Swaminathan, MD, MPHHenrique Puls, MD

Referência

Bedside focused echocardiography as predictor of survival in cardiac arrest patients: a systematic review Acad Emerg Med, 2012